quarta-feira, 29 de abril de 2009

O computador como recurso tecnológico no processo de Ensino-Aprendizagem

Com o avanço das tecnologias devemos estar muito atentos para podermos acompanhar este processo evolutivo, de modo que se não estivermos sempre nos preparando e nos aperfeiçoando em pouco tempo estaremos quase que fora da realidade, pois cada vez mais as tecnologias estão inseridas em nossas vidas, e no caso do professor(a) não é diferente, sendo nós, futuros educadores devemos estar preparados para que no mínimo possamos acompanhar esta constante evolução. Acredito que a inserção de tecnologias no processo ensino/aprendizagem é indispensável, tendo em vista este ser um grande facilitador quando aplicado de forma correta e sinto-me preparado e disposto a fazer uso dos benefícios que esta inserção pode nos trazer quanto ao processo evolutivo/educacional.

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As Tecnologias de Informação e Comunicação na escola.

1- Introdução

Com a enorme influência das TIC sobre os meios de produção e comunicação, a escola precisa absolutamente de as integrar se não quer ficar definitivamente isolada. Porém, não podemos ser ingénuos ao ponto de pensar que as TIC poderão ser a panaceia para uma escola em crise, pois elas não passam de ferramentas de ensino e, como tal, tanto podem ser usadas para novas práticas pedagógicas baseadas nas pedagogias activas, centradas no aluno, como podem servir apenas para transmitir conhecimentos, seguindo um modelo tradicional, em que o professor e os conteúdos programáticos ocupam o centro do processo educativo.
Como diz Jacques Tardif, “o desenvolvimento exponencial das TIC, assim como a sua força, impedirão que a escola as trate com ligeireza e duma maneira superficial, exigindo reflexões sérias sobre as modalidades e o grau de integração (Tardif, 1998)” (1) .

2- As TIC e a “Educação para os Media”

Sou dos que acreditam que a “educação para os media” está intimamente ligada à integração das TIC na educação, pelo que gostaria de partilhar algumas reflexões.
Como diz René de la Borderie “saber informar-se e compreender os mecanismos de produção e de difusão da informação exige uma formação específica a que se convencionou chamar educação para os media”. Esta consiste na “aprendizagem dos mecanismos de funcionamento dos media, sobretudo aquele que mais influencia os jovens - a televisão - e deveria constituir uma das prioridades da nossa prática pedagógica (Borderie, 1997)” (2) .
Em todas as disciplinas, deveria ser implementada uma prática transversal da educação para os media, duma forma planeada, ampla e sistemática, do mesmo modo que deveria haver uma prática transversal da educação para o ambiente e da educação para a cidadania.
Todos os alunos de todos os níveis de ensino deveriam ser abrangidos por uma educação para os media pois, “se acreditamos que a educação para os media constitui uma das condições para a formação do espírito crítico e para o desenvolvimento da autonomia no mundo da comunicação, então é preciso que ela comece a ser realizada desde os primeiros anos de escolaridade (Borderie, 1997) (3) ”.
O mesmo se passa em relação às TIC. A sua integração deve ser feita logo no ensino pré-escolar. Para as crianças destas idades, o CD-ROM, por exemplo, pode contribuir decisivamente para o desenvolvimento das capacidades de observação e reflexão, de coordenação psico-motora ou para o despertar dos sentidos. As potencialidades do multimédia tornam-no um instrumento quase insuperável já que reúne em simultâneo a imagem, a cor, o som e ainda todos os efeitos visuais e sonoros que conseguem prender a atenção da criança. Porém, há que ter cuidado com “as ambiguidades do ludo-educativo” (Carrier, 1997) (4) , etiqueta frequentemente usada pelo marketing para atrair as crianças (ludo) e os pais (educativo) e que muitas vezes tem muito do primeiro e pouco do segundo.
Para uma maior eficácia da educação para os media, deverá haver uma coordenação entre os centros de recursos educativos, centros de documentação, bibliotecas, mediatecas (caso não estejam todos reunidos em apenas um centro de recursos), clubes, todos devidamente articulados com as estruturas directivas da escola (sobretudo na sua vertente pedagógica) de modo a que todas as acções desenvolvidas estejam devidamente integradas no Projecto Educativo da Escola.

3- Novas aprendizagens – novas práticas pedagógicas

3-1. As potencialidades pedagógicas das TIC

As práticas pedagógicas que utilizam as TIC duma forma planeada e sistemática permitem:
- o desenvolvimento de uma competência de trabalho em autonomia (fundamental ao longo da vida), já que os alunos podem dispor, desde muito novos, de uma enorme variedade de ferramentas de investigação. “Se é verdade que nenhuma tecnologia poderá jamais transformar a realidade do sistema educativo, as tecnologias de informação e comunicação trazem dentro de si uma nova possibilidade: a de poder confiar realmente a todos os alunos a responsabilidade das suas aprendizagens (Carrier, J.-P., 1998)” (5) .
- um acesso à informação com rapidez e facilidade (um dos seus principais trunfos);
- uma prática de confrontação, verificação, organização, selecção e estruturação, já que as informações não estão apenas numa fonte. As inúmeras informações disponíveis não significarão nada se o utilizador não for capaz de as verificar e de as confrontar para depois as seleccionar. A recolha de informações sem limite pode muito bem provocar apenas uma simples acumulação de saberes.
- o desenvolvimento das competências de análise e de reflexão.
- a abertura ao mundo e disponibilidade para conhecer e compreender outras culturas;
- a organização do seu pensamento;
- o trabalho em simultâneo com um ou mais colegas situados em diferentes pontos do planeta.
- a criação de sites (em colaboração com os colegas e professores da sua ou de outras escolas), a qual vai permitir que os alunos realizem:
- um trabalho de estruturação das suas ideias;
- uma organização espacial;
- uma apresentação com cuidados estéticos;
- um trabalho de descrição e apresentação que proporcionará uma pesquisa histórica, geográfica e cultural sobre a escola, o local e a região onde habitam e estudam;
- um registo de sons e imagens (fotografia e vídeo);
- uma tradução em várias línguas.
Todas estas actividades pressupõem um profundo trabalho de interdisciplinaridade cujo espaço de realização pode ser o CRE.

3-2. O papel dos CRE

Do que ficou dito atrás sobre as potencialidades pedagógicas das TIC, é fácil concluir que os CRE podem criar as condições para proporcionar que as TIC se tornem de facto numa ferramenta que contribua para práticas pedagógicas inovadoras.
A ausência de um programa escolar limitador e de momentos periódicos de avaliação e a possibilidade de uma relação mais informal entre o professor responsável pelo CRE e o aluno constituem algumas das vantagens dos CRE. Todas estas condições permitem pôr em prática com mais facilidade do que na sala de aula todas as actividades atrás indicadas. Para além das actividades já sugeridas, os CRE podem ainda desenvolver outras actividades:
É no CRE que estão reunidos, analisados e postos à disposição da comunidade escolar todos os documentos em suportes variados (verbais, icónicos, ou gráficos). Pôr estes recursos à disposição dos intervenientes no processo educativo implica que o aluno seja ajudado na sua utilização. ”Só temos boas razões para pensar que o CRE é, na escola, um laboratório de comunicação onde as imagens e os média constituem não só uma fonte pedagógica para os trabalhos na sala de aula mas também um objecto de estudo, condição essencial para uma utilização correcta como meio de ensino e de aprendizagem (Borderie, 1997) (6) ”.
1- É indispensável uma formação técnica nos campos a) das ferramentas de navegação; b) do tratamento de texto; c) da recolha de dados.
2- A formação do aluno para uma pesquisa documental multimédia implica também uma formação no campo da “construção de saberes” (Carrier; Lafage 1997) (7) . Para isso, o aluno deve aprender a:
- construir uma pesquisa a fim de obter documentos pertinentes;
- organizar e relacionar os documentos recolhidos;
- verificar a origem dos documentos;
- formular opiniões críticas;
- confrontar estas informações com as de outras fontes;
- realizar um documento de síntese.
É claro que neste trabalho de formação do aluno, o professor tem um papel decisivo. No CRE, mas também na sala de aula equipada com as TIC, cabe ao professor:
- orientar o aluno, dando-lhe pistas e objectivos concretos;
- estabelecer com o aluno uma relação baseada na confiança, no conselho e no acompanhamento;
- propor o reforço de certas noções abordadas nas aulas;
- propor a realização de projectos de investigação documental informatizada, para desenvolver a sua motivação, associar o domínio de ferramentas informáticas à procura de informações precisas, e finalmente, melhorar a sua competência de leitura.
- abordar projectos baseados na análise crítica e comparativa dos media (televisão, imprensa e Internet) de parceria com os professores de cada disciplina.
A confrontação de suportes diversos, tais como os documentos obtidos na Internet, artigos da imprensa, livros e outros documentos, permite ao aluno escolher em função da sua pesquisa, o documento que lhe parece mais adaptado. Porém, a tarefa do aluno torna-se cada vez mais complexa, com tanta variedade de fontes de informação. Por isso, uma ideia é propor-lhe a comparação dos vários suportes tendo em conta critérios de rapidez de acesso à informação, riqueza do conteúdo e validade das informações, o que lhe permitirá desenvolver o seu espírito crítico.
Além de contribuir para formação dos alunos, o CRE também pode (e deve) ser um espaço privilegiado para a formação de professores. Para que os professores deixem de “ter vergonha” (8) de utilizar as TIC, devem aproveitar os CRE para efectuarem a sua formação quer em acções de formação quer com uma prática sistemática, que poderá ser apoiada pelo(s) professor(es) responsável(eis) pelo CRE e, porque não, pelos próprios alunos.

Conclusão

Como ficou claro, a integração das TIC nos processos de aprendizagem pode constituir um factor de inovação pedagógica, proporcionando novas modalidades de trabalho na escola. Porém, a escola tem de acompanhar as transformações sociais. A escola, por natureza lenta, analítica e virada para o passado, tem de ser capaz de se tornar mais atraente, diminuindo o fosso que a separa do mundo exterior onde o aluno vai absorver grande parte das informações que lhe interessam. Cabe à escola transformar-se de simples transmissora de conhecimentos em organizadora de aprendizagens e reconhecer que já não detém o monopólio da transmissão dos saberes, proporcionando ao aluno os meios necessários para aprender a obter a informação, para construir o conhecimento e adquirir competências, desenvolvendo simultaneamente o espírito crítico.
Para possibilitar um acesso igual à informação, a escola tem de conseguir combater as desigualdades existentes à partida, dando a todos os alunos “a possibilidade de recolherem, seleccionarem, ordenarem, gerirem e utilizarem essa mesma informação” (9) .
O simples fornecimento de equipamento informático às escolas não contribui automaticamente para atingir este objectivo.
Tal como aconteceu, em muitos casos, com a utilização pedagógica do audiovisual, se não forem preenchidas certas condições, a integração das TIC no sistema educativo poderá mesmo contribuir para agravar as desigualdades sociais. E, entre outras, essas condições são:
- uma correcta e actualizada formação dos professores;
- uma utilização das TIC devidamente planeada, inserida numa ampla estratégia educativa centrada no aluno;
- uma transformação da atitude da escola (e dos professores).
Esta transformação vai exigir que os professores reconheçam que já não são os detentores da transmissão de saberes e aceitem que as novas gerações têm outros modos de aprendizagem, baseados em estruturas não lineares, completamente diferentes da estrutura sequencial em que assentam os saberes livrescos tradicionais.
Além desta inevitável mudança de atitude da parte da escola (e dos professores), termino com as palavras de Geneviève Jacquinot: “Os media só podem servir de fonte de acesso ao conhecimento se forem integrados, dentro ou fora da escola, no quadro de um projecto ou de uma metodologia. (…) É urgente definir uma nova função da escola na sociedade actual. A questão mais importante é a de saber como vamos fazer uma educação democrática para todos ou, pelo menos, para uma maioria. (…) Devemos construir um discurso sobre a nova função da escola na sociedade tecnológica e criar práticas novas. Uma “educação para os media” bem controlada, exigente, pode ajudar-nos muito nessa tarefa (Jacquinot, 1995)” (10) .